
Nostradamus, num hipermercado, especificamente na secção de literatura, entreabri um dos seus livros, curioso pelos rumores que ouvira das suas previsões do 11 de Setembro, canonizadas em versos, o que desconhecia por completo. Corrompia desiludido o fascínio de uma obra versificada antecipar factos, memórias comuns universalmente.
Pesquisei presentemente acerca da sua vida, facilmente relatos presenciam o Renascimento, deveras de fiar, contudo não, perecera-me o culto da verdade, a ideia de que não conhecemos a pessoa com quem interagimos, e, ainda para mais, a indagação do seu domínio vaticinante de quem a alvitrou não era profícua, pois era um sinal malévolo. Displicência equitativa à parte, viera concomitante a sites de contravenção da privacidade, espectros de contusões, diegeses sumarentas com paladar a carmim, muamba de narcóticos, permuta de artilharia, vídeos com títulos arrojados, de descrição espontânea.
Nunca consultei qualquer um dos sites, a maior parte transmitiria vírus impensadamente. A colecta sublime era a de reconhecer, quando a comunicação interpelava, quem era Michel de Nostredame e as causas de se transformar num visionário precedentemente aos eventos por ter sido um médico, ter feito alquimia, estudado astrologia, ter sofrido de epilepsia e ter sido oriundo de Saint-Rémy-de-Provence.
A deturpação e adulteração passaram-lhe no duplicado secular registado, uma aplicação do epifenomenismo antes de ser teorizado.
A mente amamenta o que a consciência lhe expressa crispadamente, se escutássemos um oráculo só faria sentido depois de acontecer, primeiro porque teríamos de demandar o local do acontecimento, que era fiável só vir a existir centenas de anos mais tarde, segundo porque não creio que as constelações vizinhas estejam dispostas de forma a prever o futuro pela razão de uma afinidade galáctica humanamente infinita não ter a mínima probabilidade de ser condescendida por um efeito química, complexo, temporalmente emaranhado em si mesmo, que é apenas inteligível para outros efeitos análogos. A não ser que os astros circunvizinhos tenham uma função essencial e que participem na cadeia espagírica activamente e que um terráqueo a deduza.
Sim, os humanos podem ultrapassar-se, não à cultura, religião, sociedade, senso de premeditações, presumo que progrida, que controverta, que alterque o que socialmente denominamos de fim. Leonardo, Sandro, Albert, Isaac, Stephen… nomes comuns, a aguardar de um novo pronome que reavive os propósitos que saciaram o inscío do senhorio findável do intelecto.

O resto, as artes divinatórias, Nostradamus, o nosso Bandarra, a astrologia - são doenças infantis, têm a sua graça, que logo passa.
Para adivinhar o futuro, era necessário que ele já estivesse estabelecido: Mas todos os dias vemos que não está, que há opções, encruzilhadas, hesitações; que as coisas foram assim, mas poderiam ter sido de muitas outras maneiras, e que apenas uma poeirita na árvore de decisão acabou por as encaminhar em determinado sentido...
VC